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Outubro Rosa além da mamografia

Dra. Bárbara Paiva

Outubro Rosa além da mamografia: hormônios, estilo de vida e saúde das mamas depois dos 40

Todos os anos, quando chega outubro, somos lembradas da importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Essa mensagem continua fundamental.

Mas cuidar das mamas vai além de realizar exames.

Depois dos 40 anos, o corpo feminino atravessa mudanças hormonais, metabólicas e na composição corporal. É também um momento importante para olhar a saúde de forma mais ampla e entender que alguns hábitos podem influenciar o risco de câncer de mama.

O que realmente interfere no risco?

O câncer de mama não possui uma única causa. Idade, história familiar, fatores

genéticos e reprodutivos fazem parte dessa equação e muitos deles não podem ser modificados.

Outros, porém, podem.

Excesso de gordura corporal, especialmente após a menopausa, sedentarismo e consumo de bebidas alcoólicas estão associados ao aumento do risco. Isso não significa que uma mulher que apresente algum desses fatores desenvolverá a doença, mas reforça que prevenção também envolve cuidar da saúde metabólica, da composição corporal e dos hábitos de vida.

Depois da menopausa, o tecido adiposo também importa

Durante a vida reprodutiva, os ovários são a principal fonte de estrogênio. Com a menopausa, essa produção diminui significativamente, mas o tecido adiposo continua participando do metabolismo hormonal por meio da conversão de outros hormônios em estrogênios.

Por isso, especialmente após a menopausa, o excesso de gordura corporal está associado a maior risco de câncer de mama. Falar sobre composição corporal depois dos 40, portanto, não deveria ser apenas uma questão estética ou do número mostrado pela balança. É uma questão de saúde.

E a terapia hormonal?

Uma dúvida frequente no climatério é se a terapia hormonal aumenta o risco de câncer de mama.

Essa resposta não pode ser reduzida simplesmente a “sim” ou “não”. Os efeitos sobre a mama dependem do tipo de hormônio, da combinação utilizada, do tempo de tratamento e das características individuais de cada mulher.

A decisão deve ser individualizada, considerando sintomas, idade, momento da menopausa, antecedentes pessoais e familiares, fatores de risco e possíveis contraindicações. Terapia hormonal não deve ser utilizada indiscriminadamente, mas também não deve ser tratada apenas com base no medo.

Movimento também é prevenção

A atividade física contribui para a saúde metabólica, melhora a sensibilidade à insulina, ajuda a preservar a massa muscular e está associada à redução do risco de diversas doenças crônicas, incluindo o câncer de mama.

Depois dos 40, o objetivo não deve ser somente perder gordura, mas também preservar músculos e manter uma composição corporal saudável.

O álcool também merece atenção: seu consumo está associado ao aumento do risco de câncer de mama. Reduzir ou evitar bebidas alcoólicas faz parte das medidas de prevenção.

Conhecer as próprias mamas continua essencial

Um novo nódulo, alteração no formato da mama, retração da pele ou do mamilo, secreção espontânea ou qualquer mudança persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde.

A mamografia e os demais exames de rastreamento devem seguir as recomendações adequadas para cada mulher, considerando idade e fatores individuais de risco.

Outubro Rosa pode ser o começo

Cuidar das mamas também significa cuidar da mulher como um todo: movimentar-se, preservar uma composição corporal saudável, rever o consumo de álcool, conhecer a própria história familiar e buscar orientação adequada sobre tratamentos hormonais.

Porque prevenção não acontece somente em outubro. Ela é construída durante todo o ano.

Conhecer o seu corpo também é uma forma de cuidar da sua vida.

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DRA BARBARA PAIVA

CRM-MG 42930 – RQE 25561

MÉDICA FORMADA EM 2005 PELA UNIVERSIDADE DE BARBACENA- FUNJOB

RESIDENCIA MEDICA EM  GINECOLOGIA E  OBSTETRICIA NO HOSPITAL ODILON BEHRENS EM BELO HORIZONTE