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TDAH: quando a distração não é apenas distração

Michele Sagiorato – Psicóloga | CRP 04/82511

TDAH: quando a distração não é apenas distração

 

Por Michele Sagiorato – Psicóloga | CRP 04/82511

Esquecer compromissos, perder objetos, começar várias tarefas ao mesmo tempo e não conseguir terminar nenhuma delas. Em algum momento da vida, muitas pessoas já se identificaram com situações como essas. Nos últimos anos, com o aumento de conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais, tornou-se comum que muitas pessoas se perguntem: “Será que eu tenho TDAH?”

A informação é importante e tem ajudado muitas pessoas a compreender melhor suas dificuldades. Porém, também é preciso cuidado. Identificar-se com alguns sintomas não significa necessariamente ter o transtorno.

Vivemos em uma rotina marcada por excesso de estímulos. Celular, notificações constantes, múltiplas tarefas, pressão por produtividade e pouco tempo de descanso acabam afetando a forma como nossa mente funciona. Cansaço, ansiedade, estresse e noites mal dormidas podem gerar dificuldade de concentração e sensação de desorganização mental.

O TDAH, no entanto, é um transtorno do neurodesenvolvimento, relacionado ao funcionamento do cérebro e que geralmente começa a se manifestar ainda na infância. Entre as características mais comuns estão a dificuldade persistente de atenção, impulsividade e, em alguns casos, hiperatividade.

Mas, na prática clínica, o que mais importa não é apenas identificar sintomas isolados. É compreender como a pessoa vive essas dificuldades no seu dia a dia.

Quando alguém chega ao consultório com dúvidas sobre TDAH, o trabalho começa pela escuta. Cada história é única. Muitas vezes, aquilo que parece ser apenas distração pode estar relacionado a ansiedade, sobrecarga emocional, momentos de estresse intenso ou até dificuldades no estilo de vida e organização da rotina.

Por isso, o diagnóstico não deve ser feito de forma rápida ou apenas com base em conteúdos da internet. Ele precisa ser construído a partir de uma avaliação cuidadosa, que considera a história de vida da pessoa, seu funcionamento emocional, suas relações e a forma como os sintomas aparecem em diferentes contextos.

Essa avaliação pode envolver entrevistas clínicas, observação do funcionamento psicológico e, quando necessário, a utilização de instrumentos e testes psicológicos.

Quando o diagnóstico é realizado de forma responsável, torna-se possível oferecer um acompanhamento adequado. O tratamento pode envolver psicoterapia, desenvolvimento de estratégias para organização da rotina, manejo da ansiedade, fortalecimento da atenção e, em alguns casos, acompanhamento médico.

Na clínica psicológica, o objetivo não é apenas tratar sintomas. É compreender a pessoa em sua totalidade.

Um atendimento humanizado busca oferecer um espaço seguro para que o paciente possa falar, organizar pensamentos, compreender suas dificuldades e desenvolver novos recursos para lidar com os desafios do cotidiano.

Falar sobre TDAH é importante, pois ajuda muitas pessoas a encontrarem explicações para experiências que, muitas vezes, foram acompanhadas de cobranças, frustrações e sensação de inadequação.

Mas é fundamental lembrar que informação não substitui avaliação profissional.

Em tempos em que muitos diagnósticos parecem surgir nas redes sociais, cuidar da saúde mental exige algo que nem sempre está disponível na internet: escuta qualificada, tempo para compreender a história de cada pessoa e responsabilidade clínica.

Porque, às vezes, a distração pode ser apenas cansaço.

Mas, em outros casos, pode ser um sinal de que algo precisa ser olhado com mais cuidado. 

 

Para refletir

Antes de se perguntar “será que eu tenho TDAH?”, talvez uma pergunta igualmente importante seja:

Como anda minha relação com o tempo, com as cobranças e com o cuidado com a minha mente?

Buscar compreensão é sempre um passo importante no caminho do cuidado com a saúde mental.

 

Michele Sagiorato – Psicóloga | CRP 04/82511

Poços de Caldas – Centro – Rua Paraíba 485 ap3

Whats app: (35) 98423-7176

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